Não há campo de atuação que não seja impactado pela longevidade

19 de Novembro de 2018 às 10:36

O economista Eduardo Giannetti da Fonseca enfatizou em sua apresentação para os convidados da Longevidade Expo + Fórum que “não há tema mais atual e mais prospectivo do que a longevidade. Realmente fiquei muito feliz ao ser convidado para esse momento porque é um assunto que me motiva profundamente há muitos anos. Estou convicto de que o acontecimento mais importante da nossa geração de brasileiros é a transição demográfica pela qual estamos passando. Demografia não é um assunto que apareça nas manchetes e entusiasme a opinião pública, porque trata de mudança lenta, mas cujo impacto e importância transcende, provavelmente, qualquer outra dimensão da existência social. A transição demográfica não é algo singular do Brasil, é uma experiência pela qual outras nações também passaram ou estão passando. Mas as características no Brasil são muito diferenciadas e rápidas”.
 

VETORES DE MUDANÇA
“A transição demográfica brasileira é a resultante de três vetores de mudança: primeiro, a explosão populacional que o Brasil viveu no pós-guerra. Nós éramos pouco mais de 50 milhões de habitantes em 1950; em 45 anos a população brasileira triplicou. Em 1994 passamos a marca de 150 milhões de habitantes. Desde o descobrimento do Brasil, em 1500, até 1950, a nossa população passou de poucas centenas de milhares a 50 milhões de habitantes. A partir de 1950, o número de habitantes triplicou. Esse é um fato devastador do ponto de vista demográfico, pois o país vai viver os resultados disso, por muito tempo”, apontou Giannetti.
“Segundo vetor: queda da fecundidade. O número médio de filhos por mulher no Brasil caiu numa velocidade sem precedentes No mundo. O que na Europa demorou 60 anos para acontecer (passar de 3 para 2 filhos por mulher, em média), no Brasil aconteceu em 19 anos. A partir dos anos 70, a taxa de fecundidade baixou numa velocidade extrema. Hoje estamos com uma taxa de apenas 1,8, e isso é menos do que a taxa de reposição, que é de 1,1. Só que a população continua crescendo, porque como o contingente de mulheres em fase de reprodução é muito grande, então a população continua crescendo. Duas variáveis explicam isso: a urbanização e a escolaridade das mães. Não há variável que determine com maior impacto, o número médio de filhos que uma mulher terá na sua vida do que o número de anos que ela frequentou a escola. Isso é uma experiência mundial”, elucidou Giannetti.
Como terceiro vetor de mudança o economista citou a longevidade e o stricto senso. “Em 1940, a expectativa de vida ao nascer, no Brasil, era 45 anos. Hoje é 75 anos. Um detalhe curioso é a diferença entre a expectativa de vida entre mulheres e homens. As brasileiras vivem, em média, sete anos a mais do que os brasileiros. A principal determinante desse aumento da expectativa de vida foi a queda da mortalidade infantil. Ela era tão baixa em 1940, porque um número muito grande de crianças morria entre zero e 5 anos. A medida que se diminuiu a taxa de mortalidade infantil houve o aumento da expectativa de vida ao nascer. Mas esses números são muito mais eloquentes se olharmos a expectativa de vida em diferentes faixas de etárias. Observando a expectativa de vida das pessoas com 50 anos no Brasil, deve estar por volta de 85, 90 anos. Já para os de 70 anos, ela já passa para 90, porque quem chegou aos 50 tem uma chance muito maior de chegar aos 80, 90 anos. Trata-se de um aumento muito fundamental do tempo médio de vida na sociedade. Hoje os brasileiros chegam a 75 anos na média. De novo é um fato que ocorreu no mundo: a expectativa de vida aumentou mais nos últimos 40 anos do que nos 4.000 anos precedentes, e esse talvez seja um dos fatores mais fundamentais da nossa época”, completou Giannetti.
“Veremos que esses três vetores de mudança geram uma dinâmica populacional extremamente poderosa, que pode ser exemplificada num modelo geométrico fácil de visualizar: como aumentou muito a população no pós-guerra, aumentou muito a base da pirâmide etária brasileira, porque entrou muita criança na população em pouco período de tempo. À medida que o tempo passa, essa bolha populacional da base da pirâmide começa a subir, porque essa população vai adquirindo mais idade e vai subindo no caminho. Só que, como caiu a taxa de fecundidade, a base da pirâmide começa a estreitar, então chega o momento em que o que era uma pirâmide se torna um barril. Hoje nós estamos no barril: tem muita gente em idade de trabalho para poucos idosos. Só que à medida que o tempo passa, o que era uma pirâmide e virou um barril vai virando um cogumelo: pouca gente nascendo, a coluna ficando estreita, a explosão populacional do pós-guerra chegando aos 70 anos e essas pessoas vivendo muito mais tempo do que costumavam viver no passado. As implicações disso ramificam de tantas maneiras e são ainda tão desconhecidas, que nós não conseguimos dar conta da complexidade e das demandas que virão por conta dessa extraordinária transição demográfica”, pontuou.

 

MENOS GENTE PRODUZINDO

Eduardo Giannetti abordou também “um dos infinitos campos de possibilidade que o tema da longevidade deflagra: a chamada taxa de dependência, que é uma coisa muito importante para a economia, para a previdência, seguros, para tudo. Taxa de dependência é a proporção de pessoas em idade de trabalho numa sociedade, relativamente àquelas que dependem da renda de quem está trabalhando, ou seja: as crianças com menos de 14 anos, e os idosos acima de 64 anos. Hoje no Brasil existem 7,5 pessoas entre 15 e 64 anos, para cada brasileiro acima dessa idade. A demografia ainda está à nosso favor: temos uma proporção grande de pessoas em idade de trabalho, relativamente àqueles que dependem dos que trabalham. Sabem para quanto cairá essa relação em 2060? Vai passar de 7,5 para 2,3 brasileiros trabalhando para cada brasileiro acima de 64 anos. Se nós não aumentarmos a produtividade do trabalho do brasileiro, não vamos dar conta do cogumelo que virá. É um desafio de primeiríssima ordem. Precisamos pensar em todas as implicações desse fato, que são de ordem econômica, previdenciárias, culturais, existenciais, no mundo do trabalho, da saúde, dos padrões e dos hábitos de consumo. Tem muita coisa ainda para acontecer”.
 
Giannetti concluiu: “Não há campo de atuação humana que não seja impactado pelo crescimento da população de mais idade. O grande desafio é articular tudo isso com uma visão coordenada e dar consistência para que se chegue a soluções que nos permitam viver por mais tempo com plenitude, como vidas dotadas de propósitos, sentidos e alegrias”.

Longevidade Expo + Fórum é um empreendimento da Longevidade Feiras e Congressos, com realização e gestão da São Paulo Feiras Comerciais, empresas do Grupo Couromoda, organização com 45 anos de experiência no setor de feiras de negócios e congressos profissionais.

Contato

Rua Padre João Manuel, 923 – 6º andar - 01411-001 – SP
(11) 3897-6199
WhatsApp: (11) 96489-4877
comercial@longevidade.com.br

Nossos empreendimentos