@valeriabursztein

Maurício de Sousa, 86+, Empatia e Inspiração

Cartunista lança coleção em braile

Redação e Edição,  Analu Oliveira – 79+

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Mauricio e Dorina, laços de parceria e afeto desde sempre

Só podia ser ele, Mauricio de Sousa, mais que cartunista, grande educador que agora marca mais um golaço com o lançamento da coleção em braile de gibis da menina cega Dorinha

 

Aos 86+, com vitalidade invejável, Mauricio sempre foi uma pessoa focada no social, o que sempre se refletiu nos seus mais de 400 personagens criados em 60 anos de carreira. Agora chegou a vez da Dorinha, garotinha cega inspirada em Dorina Novill que sempre teve uma história de forte luta pelos deficientes visuais . E olha só, a Dorinha vem junto com seu cão guia Radar e arrasa sempre muito fashion e charmosa com sua bengalinha.

 

 

Dorinha, sempre fashion e acompanhada do cão guia Radar

Sim !!! Agora lá vem ela, Dorinha, que vai brilhar ao lado da Mônica, Magali, Cebolinha e Cascão, e de toda Turminha. Grande reforço dos laços de Mauricio com a Fundação Dorina Nowill, a coleção em braile é dedicada às crianças com dificuldade de visão.

Olha ela aí na tirinha em braile

Mauricio mesmo nos conta: “Desde que comecei a criar personagens com alguma deficiência, cresceu meu interesse em conhecer melhor essas histórias para não passar uma imagem errada tanto para a criança que vive essa realidade quanto para as que têm um desconhecimento sobre o assunto”.

Dorina Novill e seu legado incrível foram a inspiração para que Mauricio se dedicasse ao lançamento da coleção em braile e escolhesse o nome Dorinha em homenagem à educadora. Na fundação que leva seu nome, estão os melhores especialistas que orientaram com precisão o passo a passo dessa criação de personagem.

Diz Mauricio: “Cada personagem que criei como a Dorinha (cega), o Luca (cadeirante), o André (autista), a Tati (síndrome de Down), o Humberto (mudo) e até um com distrofia muscular, que é o Edu, foram formatados por meio de muita pesquisa, acompanhamento de grandes profissionais além de vivência. A criança começa a entender como esses personagens vivem e é incrível como elas começam a passar essas informações aos pais. Entender as diferenças é base para uma convivência e inclusão”, finaliza o artista.

 

LANÇAMENTO DO PROJETO

O novo projeto, Dorinha pelo Brasil – Inclusão Sem Barreiras, será lançado no dia 25 e será ótima oportunidade para conectar as crianças cegas com quem enxerga. “Imagine uma criança que não pode ver. Uma criança que gosta de brincar, de fazer amizades, de poder estudar e se divertir. Se outras crianças não entenderem como ajudá-la a fazer tudo isso, não vai haver interação”, esclarece Mauricio. Para ele, o grande diferencial é a empatia que esses livros podem gerar. “Crianças que enxergam vão poder brincar com as cegas e entender a comunicação de maneira mais sensível. Podem fechar os olhos e tocar, por curiosidade, numa experiência que mostrará que, apesar das dificuldades, a gente pode conseguir tudo”

O superintendente executivo da Fundação Dorina Nowill para Cegos, Alexandre Munck, está muito entusiasmado com o projeto e diz: “Dorinha é uma personagem forte, curiosa, elegante e bem antenada, ou seja, a deficiência não a limita. Essas características a aproximam do público e geram identificação com os pequenos”

Alexandre Munck explica como o produto chegará às crianças e garante que a coleção é totalmente acessível. “O livro será impresso em tinta-braile, ou seja, no alfabeto tradicional e no braile. Do mesmo modo, algumas imagens poderão ser vistas e sentidas.” Mas ele informa  que as histórias também estão disponíveis na versão falada, com áudio descrição das imagens e em áudio book.

A coleção vai ser distribuída pela própria Fundação Dorina Novill, gratuitamente para bibliotecas, escolas públicas e organizações sociais de todo o Brasil.

 

Sobre Mauricio de Sousa

Mauricio Araújo de Sousa nasceu em Santa Isabel, interior de São Paulo, em  27 de outubro de 1935. Além de cartunista famoso, é empresário, escritor e membro da Academia Paulista de Letras. Seu pai, Antonio Mauricio era, além de barbeiro, poeta, compositor e pintor. Sua mãe, Petronilha, era poetisa. Mauricio cresceu assim, nesse ambiente cercado de arte e cultura. A casa da família estava sempre aberta para saraus, reuniões de artistas e rodas de chorinho.

De Santa Isabel a família mudou-se para a vizinha Mogi das Cruzes, onde Mauricio começou a desenhar cartazes e ilustrações para rádios e jornais.

Em 1954 lá foi ele à procura de emprego como desenhista, em São Paulo, capital. Mas só conseguiu uma vaga de repórter policial na Folha da Manhã  e lá ficou por cinco anos. Mas ao ilustrar essas matérias com seus desenhos, foi reconhecido e elogiado pelos leitores, o que lhe abriu as portas para os quadrinhos.

Turma da Mônica começou a tomar forma em 1959, com histórias do Bidu e do Franjinha. Depois veio o Cebolinha e, em 1963, foi publicada a primeira tirinha da Mônica, personagem inspirada em uma de suas filhas. A partir de então, ele criou personagens para homenagear todos os seus outros filhos.

 

Sobre Dorina Novill

Dorina de Gouvêa Nowill nasceu em São Paulo, dia 28 de maio de 1919, foi educadora, filantropa e administradora. Trabalhou muito para a criação e implantação de instituições, leis e campanhas em prol dos deficientes visuais e pelo seu trabalho foi diversas vezes reconhecida e premiada.

Ficou cega aos 17 anos em virtude de uma infecção ocular, que ocasionou uma hemorragia. Mas a cegueira   não a impediu de seguir carreira na área da educação. Em 1945, conseguiu convencer a Escola Caetano de Campos, onde cursava o magistério e viria a se formar como professora, a implantar o primeiro curso de especialização de professores para o ensino de cegos.

Nessa época, livros em Braille eram raríssimos e ela teve que cursar a escola como estudante normal. Depois de formada, foi para os Estados Unidos com uma bolsa de estudos paga pelo governo americano para frequentar um curso de especialização na área de deficiência visual, na Universidade de Columbia.

De volta ao Brasil, concentrou esforços na fundação da primeira imprensa Braille de grande porte do país. A editora é uma das principais fontes de renda da fundação que criou e produz mais de 80% dos livros do Ministério da Educação para deficientes visuais, além de receber encomendas especiais de cardápios para restaurantes, instruções de segurança de companhias aéreas, best-sellers, etc. Ela foi considerada pela Revista Época uma dos 100 brasileiros mais influentes do ano de 2009

Dorina foi casada com o advogado carioca Edward Hubert Alexander Nowill, filho de um pastor protestante inglês. Faleceu aos 91 anos de parada cardíaca e deixou cinco filhos e doze netos.

 

 

Fontes:

Página3/  O Estado de SP (https://pagina3.com.br/variedades/mauricio-de-sousa-lanca-colecao-em-braile-de-gibis-da-menina-cega-dorinha/)

Wikipedia

https://pt.wikipedia.org/wiki/Dorina_Nowill

https://pt.wikipedia.org/wiki/Mauricio_de_Sousa